Você já se viu na situação de precisar do Xalkori pelo plano de saúde? Esse medicamento é crucial para muitos pacientes com câncer de pulmão, mas nem sempre é fácil consegui-lo. Vamos explorar como navegar esse processo e garantir o tratamento necessário, que é um direito fundamental à saúde.
Saiba mais sobre os seus direitos com uma consulta gratuita de um advogado especialista clicando aqui.

Table Of Contents:
- O que é o Xalkori (Crizotinibe) e por que ele é importante?
- Como obter o Xalkori pelo plano de saúde
- E se o plano negar a cobertura do Xalkori?
- O direito à saúde e a cobertura obrigatória
- Alternativas ao Xalkori e a decisão médica
- Lidando com o impacto financeiro e os efeitos colaterais
- O papel do apoio emocional na jornada do paciente
- Conclusão
O que é o Xalkori (Crizotinibe) e por que ele é importante?
O Xalkori, cujo princípio ativo é o crizotinibe, é um medicamento de alto custo utilizado na terapia alvo para o tratamento de tipos específicos de câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC). Ele é indicado para pacientes que possuem uma mutação no gene ALK (quinase do linfoma anaplásico). Essa alteração genética acelera o crescimento e a disseminação das células cancerígenas.
A importância do crizotinibe pelo plano de saúde é imensa, pois ele atua de forma direcionada, inibindo a proteína ALK e, consequentemente, interrompendo o desenvolvimento do tumor. Para muitos, este medicamento representa uma melhora significativa na qualidade de vida e um aumento na sobrevida, com efeitos colaterais geralmente mais brandos que os da quimioterapia tradicional. Por isso, a cobertura pelo plano é essencial para viabilizar o acesso a essa terapia inovadora.
Quando um médico prescreve este tratamento, a expectativa é que ele seja o mais eficaz para aquele caso específico. O tratamento para câncer de pulmão é complexo, e a escolha do medicamento correto faz toda a diferença. O medicamento Xalkori é um avanço da medicina, e seu acesso não pode ser negado de forma indevida.
Como obter o Xalkori pelo plano de saúde
Conseguir o Xalkori pelo plano de saúde pode parecer um desafio, mas seguindo os passos corretos, você aumenta suas chances de sucesso. O processo exige organização e um bom relatório médico. A seguir, detalhamos as etapas fundamentais para solicitar a cobertura.
1. Consulte seu médico e obtenha um relatório detalhado
O primeiro e mais importante passo é a consulta com o oncologista. É o médico quem irá determinar se o Xalkori é o tratamento indicado para o seu caso específico de câncer. Além da prescrição, é fundamental solicitar ao médico um laudo clínico detalhado e robusto.
Este relatório deve explicar a sua condição de saúde, o tipo de câncer, os resultados de exames genéticos que comprovam a mutação ALK e a justificativa técnica para a escolha do Xalkori. Cabe ao médico justificar por que outros tratamentos disponíveis no rol da ANS não são adequados ou já falharam, se for o caso. Esse documento é a peça central da sua solicitação.
2. Reúna toda a documentação necessária
Com o relatório médico em mãos, organize todos os documentos que serão enviados ao plano de saúde. A organização é crucial para evitar atrasos na análise da sua solicitação. Geralmente, os documentos necessários são:
- Prescrição médica para o medicamento Xalkori (crizotinibe).
- Laudo médico detalhado justificando a necessidade do tratamento.
- Resultados de exames, especialmente o teste genético que confirma a mutação ALK.
- Cópia do seu documento de identidade e da carteirinha do plano de saúde.
- O último comprovante de pagamento da mensalidade do plano, se aplicável.
3. Formalize a solicitação junto ao plano de saúde
Envie toda a documentação para o seu plano de saúde de forma que você tenha um comprovante de recebimento. O ideal é protocolar o pedido diretamente em uma agência física ou através do portal online da operadora, sempre guardando o número de protocolo. A partir do recebimento, a operadora tem um prazo legal para dar uma resposta, seja positiva ou negativa.
E se o plano negar a cobertura do Xalkori?
Infelizmente, a negativa de cobertura para o crizotinibe pelo plano de saúde é uma situação comum. As operadoras costumam usar diversos argumentos para justificar a recusa, mas é importante saber que muitas dessas justificativas são consideradas abusivas pelo Poder Judiciário. Se você receber uma negativa, não desista.
A negativa formal e por escrito é um documento importante caso você precise tomar outras medidas. É seu direito receber essa justificativa. Com ela em mãos, existem alguns caminhos a seguir para reverter a decisão.
Principais argumentos das operadoras e como contestá-los
Os planos de saúde geralmente baseiam suas negativas em alguns argumentos padrão. Conhecê-los ajuda a preparar sua defesa. Os argumentos mais comuns são:
| Argumento da Operadora | Realidade e Contraponto Legal |
|---|---|
| “O medicamento não consta no rol da ANS.” | Este é o argumento mais frequente. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já consolidou o entendimento de que o rol da ANS é exemplificativo, ou seja, representa apenas a cobertura mínima obrigatória. Se o medicamento tem registro na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), como é o caso do Xalkori, e há prescrição médica fundamentada, a cobertura deve ser garantida. |
| “O tratamento é considerado experimental.” | Essa justificativa é inválida para o Xalkori. Um tratamento ser experimental significa que ele não possui eficácia comprovada ou autorização sanitária. O Xalkori tem registro na ANVISA desde 2015, o que comprova sua segurança e eficácia, afastando a alegação de que possa ser experimental. |
| “O contrato exclui a cobertura de medicamentos de alto custo.” | Cláusulas contratuais que limitam ou excluem tratamentos essenciais para a saúde e a vida do paciente são frequentemente consideradas nulas pela Justiça. O direito à saúde se sobrepõe a cláusulas contratuais abusivas. Negar um tratamento prescrito por um médico coloca em risco a vida do paciente. |
| “Uso off-label (fora da bula).” | Em alguns casos, a operadora alega que a indicação do médico é para uma condição não prevista na bula (uso off-label). Mesmo nessas situações, cabe ao médico assistente, e não ao plano de saúde, definir qual é o melhor tratamento para o paciente. A jurisprudência também tem protegido os pacientes nesses casos. |
Busque apoio de um advogado especialista
Diante de uma negativa, o passo mais eficaz é procurar um advogado especializado em direito à saúde. Um profissional com experiência na área saberá analisar o seu caso, identificar a abusividade na conduta do plano e orientar sobre as melhores medidas a serem tomadas. Na Berardini somos especialistas em reverter essas negativas.
Um advogado pode, inicialmente, tentar uma solução extrajudicial, mas se necessário, ingressará com uma ação judicial. Na maioria das vezes, o pedido é feito com um requerimento de tutela de urgência (liminar), para que o juiz determine o fornecimento imediato do medicamento Xalkori, antes mesmo do final do processo, evitando que a saúde do paciente seja ainda mais prejudicada pela espera. A liminar geralmente é obtida em muitos casos em poucos dias.
O direito à saúde e a cobertura obrigatória
O direito à saúde é garantido pela Constituição Federal e pela Lei nº 9.656/98, que regulamenta os planos de saúde. Essa lei estabelece a cobertura obrigatória para todas as doenças listadas na Classificação Internacional de Doenças (CID), e o câncer está entre elas. Portanto, o tratamento para câncer deve ser coberto por todos os planos.
O contrato se submete à lei, e qualquer cláusula que vá contra a legislação pode ser anulada. A recusa em fornecer um tratamento essencial, como o crizotinibe pelo plano de saúde, é uma prática abusiva que coloca em risco a vida do paciente. As operadoras não podem interferir na decisão do profissional de saúde; cabe ao médico prescrever os melhores tratamentos.
Decisões judiciais, incluindo as súmulas de tribunais como o de São Paulo, reforçam esse entendimento. Elas afirmam que a recusa de cobertura de tratamento sob o argumento de não constar no rol da ANS é ilegal. Por isso, a chance de sucesso em uma ação judicial costuma ser alta, especialmente com a documentação correta.
Alternativas ao Xalkori e a decisão médica
Embora o Xalkori seja um tratamento eficaz, a medicina oncológica evolui constantemente. Existem outras terapias-alvo e tratamentos que podem ser considerados pelo seu oncologista, dependendo do perfil genético do seu tumor e da sua condição clínica. Por exemplo, outros inibidores de ALK de gerações mais recentes, como o Alecensa (alectinibe) ou o Zykadia (ceritinibe), podem ser indicados.
Além disso, a imunoterapia e a quimioterapia tradicional continuam sendo opções válidas para muitos pacientes. A decisão sobre qual o melhor tratamento é exclusivamente médica. O plano de saúde não pode ditar qual medicamento deve ser usado, especialmente se a escolha for baseada em critérios financeiros em detrimento da eficácia para o paciente.
O importante é que, uma vez que a prescrição seja feita por um médico especialista, o tratamento deve ser fornecido. Se o seu médico, após avaliar todas as opções, indicar o Xalkori, essa é a terapia que deve ser coberta pelo seu plano.
Lidando com o impacto financeiro e os efeitos colaterais
O tratamento com Xalkori possui um alto custo, que pode chegar a dezenas de milhares de reais por mês. Esse valor é proibitivo para a grande maioria da população, tornando a cobertura pelo plano de saúde a única via de acesso para muitos pacientes. A negativa do plano não só gera um obstáculo de saúde, mas também um enorme estresse financeiro e emocional.
Alinhado ao tratamento principal, é preciso gerenciar os possíveis efeitos colaterais. Os mais comuns incluem alterações visuais, náuseas, diarreia, vômitos e fadiga. É fundamental comunicar qualquer sintoma ao seu médico, pois ele poderá prescrever medicamentos de suporte ou ajustar a dose para garantir que o tratamento seja tolerável e contínuo.
Os cuidados para manejar os efeitos adversos também fazem parte do tratamento oncológico. Portanto, consultas, exames de acompanhamento e medicamentos de suporte também devem ser cobertos pelo plano de saúde, garantindo um cuidado integral à saúde do paciente.
O papel do apoio emocional na jornada do paciente
Enfrentar um diagnóstico de câncer e a batalha burocrática para conseguir um tratamento é uma jornada desgastante. A saúde mental é tão importante quanto a saúde física. Não hesite em buscar apoio emocional durante esse período.
Muitos hospitais e clínicas oferecem grupos de apoio e atendimento psicológico para pacientes oncológicos e suas famílias. Conversar com pessoas que passam por situações semelhantes ou com um profissional pode aliviar a ansiedade e o estresse. Cuidar de si mesmo de forma integral fortalece você para enfrentar os desafios do tratamento.
A paciente não deve carregar esse peso sozinha. Contar com uma rede de apoio de familiares, amigos e profissionais é fundamental para manter a esperança e a força necessárias para seguir em frente.
Conclusão
Obter o Xalkori pelo plano de saúde pode ser um caminho com obstáculos, mas é um direito seu. A negativa baseada em argumentos como a ausência no rol da ANS ou o alto custo é, na maioria das vezes, uma prática abusiva e pode ser revertida. A chave é ter um laudo médico bem fundamentado e não ter medo de buscar seus direitos.
Lembre-se de que a obrigação de cobrir o tratamento para câncer está prevista em lei, e a decisão sobre qual medicamento utilizar cabe ao médico que acompanha o caso, e não às operadoras. Em caso de dificuldade, a orientação de um advogado especialista em direito à saúde é o caminho mais seguro para garantir que o seu tratamento não seja interrompido, protegendo o seu bem mais valioso: a sua vida.
Garantir seu bem-estar é um direito seu, e você não precisa percorrer essa jornada sozinho. Na Berardini temos profissionais experientes e prontos para oferecer o suporte jurídico que você precisa. Se o seu plano de saúde negou o medicamento, fale conosco para entender o melhor caminho a seguir e conquistar seu direito.
Saiba mais sobre os seus direitos com uma consulta gratuita de um advogado especialista clicando aqui.


